[Flashback]
- Narrado por Miley:
Quando
eu era pequena, sentia que meus pais me forçavam a viver uma vida na qual eu
sabia que não seria o certo pra mim. Me davam de tudo e atendia meus pedidos
sempre que eu precisasse. Ninguém precisa viver assim. Sei que temos que
alcançar nossos objetivos sozinhos e enfrentar a vida como algo comum. Não é
fácil viver, ainda mais quando a gente cresce e descobre que em contos de fadas
também há monstros, que a vida não é tão fácil quanto imaginamos. Todos meus
amigos de infância ainda vivem comigo e muitos deles tem uma vida totalmente
diferente da qual a gente vivia quando criança. Lembrar disso me faz querer
voltar atrás e fazer tudo de novo, mas não, sei que minha vida é projeto de
Deus e que Ele ainda tem muito pra me ensinar, assim como tenho pra aprender.
Nunca
fui de me achar bonita ou a melhor da escola, mas também nunca tinha prestado
atenção em Liam, quando estudávamos na mesma escola. Foi no Ensino Médio que
nos vimos pela primeira vez. Ali, no primeiro ano e ele no segundo e eu sabia
que naquele momento algo do destino veio até mim e sussurrou em meus ouvidos
que seria com aquele garoto, alto, bonito e loiro que meus passos deveriam
seguir. Foi como um flash, começamos a nos falar na hora do intervalo, quando
descobrimos que gostávamos das mesmas músicas e tínhamos os mesmos gostos.
Assim como meus pais, os dele também o forçava viver para sempre como um
príncipe. O tempo fez com que descobríssemos coisas intensas um do outro.
Naquele tempo eu estava desesperada. Contei tudo, até que era virgem, enquanto
ele foi mais reservado e não tirava os olhos dos meus. Lembro como se fosse
hoje, ele era tão lindo e sedutor. Pra mim, era o garoto mais bonito da escola
toda. Estava tão apaixonada que mais ninguém me interessava. Neguei sete
pedidos de namoro por causa dele e sei que fiz o certo.
Um dia,
quando já éramos próximos demais, eu estava com dificuldade na matéria de
física, ele fez questão de sentar ao meu lado na hora do intervalo e me
explicar passo a passo, com calma, como se eu fosse um bebê. Senti a mão dele
deslizar por minha coxa e aquilo me fez arrepiar. A voz doce e suave dele não
saia da minha cabeça e eu queria tê-lo comigo a todo momento. Não tive tempo de
reagir, ali mesmo, dentro da sala de aula, ele estava sugando meu pescoço com o nariz, tentando
sentir meu cheiro. Aquilo só facilitou para que pudéssemos nos beijar. Senti um
calafrio naquele momento, com medo e ao mesmo tempo querendo fazer a vontade
dos meus instintos. Eu mal sabia da vida dele como ele sabia da minha. Nunca
tinha ido a casa dele, nem sabia se o estilo de vida que ele levava era
realmente o que havia me contado. Mas não importava, eu queria mesmo era avançar
e largar o medo. Pulamos o muro da escola e lá mesmo ele me prensou contra a
parede, dizendo coisas loucas e me desejando cada vez mais. Meus instintos
correspondia a todos os movimentos que ele fazia e me puxando pelos cabelos, me
arrastou pra dentro de um carro velho e sujo que estava abandonado na rua,
deixando meu material na sala, sem preocupação, como se fosse cena de filme.
Senti meu corpo queimar quando ele me beijou meu corpo todo, arrancando minha
roupa com as mãos quentes que mantinha e foi como uma droga. Deixei ele abusar
de mim da forma que ele quisesse e assim foi feito. Foi tão mágico e excitante,
fiquei roxa de vergonha, sem saber se fiz o certo ou não. Em menos de meia hora
já havíamos feito. Com certeza aquela não era a primeira vez dele, mas a minha
sim. Me senti tão realizada e inútil ao mesmo tempo, por transar com quem eu
mal conhecia. Aquilo chegou a ser nojento. Talvez tenha sido minha mente de
adolescente, afinal, eu tinha dezesseis anos, enquanto ele dezoito. Eram dois
anos de diferença, mas eu não me importava. Refleti sobre aquilo o tempo todo e
sabia que não deveria ter feito. Meu corpo me desprezava e eu sabia que necessitava
de me preservar mais, mas não tinha como voltar atrás, foi como um imã me puxando
ou como se a voz dele fosse um veneno
pra mim.
Tempos
depois já estávamos namorando. Ele era bem dependente, pois enquanto fazia o
colegial, seus pais voltaram para a Austrália, que foi de onde ele veio. Liam
sempre foi respectivo comigo e me respeitava demais. Nesses dois anos de namoro
aconteceu tantas coisas, até o que eu menos esperava. Lembro que saíamos escondidos dos meus pais,
pois meu pai tinha medo de que eu perdesse a virgindade cedo saindo com garotos
de noite. Coitado, mal sabia que eu já não era virgem a tempos.
Ele me
levava pra almoçar e jantar fora. Quando terminou o colegial, ganhou um carro
do pai dele e foi quando começamos a sair mais vezes e cada vez mais longe.
Ficando dias fora de casa, deixando meus pais loucos e desesperados por mim.
Eles nunca foram assim com meus irmãos, até porque Henrique era dependente e
muito quieto, Lucas era um bom aluno e
eu a mais perseguida e paparicada pelos pais. Talvez porque eu era uma menina
ou meus pais tinham problemas.
Não sei
bem o que fez meus pais aceitarem nosso namoro, mas eles sabiam que mesmo com o
NÃO deles, eu iria enfrentar o que fosse pra ficar ao lado da pessoa que amava.
Liam era um bom garoto, diferente de qualquer outro que eu já tinha ficado.
Todos os outros pensavam em sexo o tempo todo, Liam já não, ele sabia viver a
cada momento com intensidade e emoção e lembro como se fosse hoje, ele me
dizendo que se não fosse viver comigo a vida toda, não viveria com mais
ninguém.
Quando
ele me pediu em casamento já morávamos juntos, tudo em volta parou e eu pude
ouvir somente a voz dele me dizendo palavras doces e aqueles braços fortes me
segurar no ar. Foi incrível que não pude negar. A voz dele era como serenata
para os meus ouvidos, eu morria ao ouví-lo se declarar pra mim. Logo depois
engravidei e meus sonhos foram caindo aos pedaços. Sabia que a partir daquele
momento em que o médico me disse o resultado dos exames, minha vida iria mudar.
Um bebê estava por vir e tive que largar tudo para abrir mão daquele tesouro.
Não havia como culpar um ou outro. Não sabia como reagir naquele momento e
contar para os meus pais. Minha vida virou um transtorno que só meu coração pode
sentir e até hoje eu reflito sobre isso. É como lembrar das coisas ruins que
vivi tão jovem. O momento em que fui absurdamente violentada por um
desconhecido e queria que Liam pelo menos me ouvisse para me ajudar e não foi
possível. Ele se culpou tanto por aquele dia, ainda mais sabendo que eu estava
grávida de um feto que não era dele. Foi horrível. Ainda lembro daquela noite,
foi como se uma nuvem preta tivesse caído sobre mim e me feito refém do mundo,
sem que eu pudesse respirar e que alguém pudesse me ver.
Meu pai
sempre dizia que as coisas acontecem por algum motivo e que nada é por acaso.
Acreditei nisso somente quando vi Nathan pela primeira vez. Minha gravidez foi
dolorosa demais. Eu pensava em coisas boas pra amenizar o sofrimento, mas não
adiantava. O bebê revirava dentro da minha barriga como se fosse algo dentro de
um liquidificador. Chutava e não me deixava dormir. Eram pontadas fortes que
não me permitia andar e me fazia gritar
sozinha em casa. Liam
não via isso pois trabalhava a maior parte do tempo, mas não contava pra ele para
que não houvesse preocupações. Queria transmitir uma imagem de mulher forte e
dependente, mas não consegui. Meus pais ficaram loucos quando descobriram e me
obrigaram a casar cedo. Minha vida não tava sendo da forma que eu sonhava
quando era criança. Com dezoito anos eu já estava casada e iria ser mãe. Na
época foi um balde de água fria, responsabilidade, cuidados e muita calma.
O
momento em que ele veio ao mundo, foi como sentir meu corpo em chamas. Prematuro ,
ali, por motivos bobos e falta de atenção minha. Pensei que não fosse
sobreviver. Não sabia como reagir, era uma dor insuportável. Queria controlar
meus gritos, mas não foi possível. Os médicos me diziam para ficar calma e respirar
fundo, eles não sabiam a dor que eu sentia naquele momento. Durou como anos e nunca
imaginei passar por aquilo. Fiquei traumatizada e jurei por mim mesma nunca
mais ter um filho. Mas quando eu o vi, aqueles olhinhos pequenos se abrirem
para o mundo com dificuldade e um choro ardido sair de sua boca, aprendi a amá-lo
mais do que tudo que eu podia ter na vida. Nathan se tornou meu primeiro amor,
ele era tudo pra mim. Meu alicerce, minha vida, meu respirar e cada vez que eu
o via crescer, sentia que minha vida não teria sido nada sem ele. Aquele bebê
veio para alegrar meu coração e me encher de emoção. Acreditei ainda mais no
que meu pai havia dito. Pude crer que meu destino realmente seria aquele e era
daquela forma que eu tinha que viver. Não importava a idade, nem nada, eu amava
Nathan e Liam da mesma forma como amava minha família e foi bom vê-los felizes por mim e contentes com minha vida.
Vi
Nathan crescer dia a dia e aquilo me deixava feliz. Ele vivia comigo o tempo
todo e meus estudos foram retomados ao tempo, conforme ele crescia. Até
contratei uma babá pra ficar com ele enquanto eu tirava umas três horas pra
estudo. Tinha que reconstruir minha vida e conquistar meus sonhos. Liam
completou aniversário de vinte e um anos durante esse tempo e eu o tinha sempre
que precisasse. Sempre foi um homem dedicado e experiente. Me satisfazendo e me
tornando a mulher mais feliz do mundo.
Minha
vida parecia conto de fadas e o que seguiria, somente O DESTINO poderia me
mostrar.







4 comentários:
meu deus, realmente esse capitulo foi completamente diferente... cada detalhes deixou a historia completamente ardente e cheia de pontos chave!
MELHOR CAPITULO ATÉ AGORA, parabéns máh continuo em dizer você seria uma otima escritoram, rs
eu compraria todos os seus livros!
AMEEEEEEEEEEEI
VALEEEEEEEEEEEU ANJINHO, te amo mesmo, mt mt obrigada :))
E agora isso sim fez a história ficar bem melhor, mais do que já estava antes!!
Grata anjo, fico feliz :D
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