A gravidez de Miley foi um fato histórico na família. O
destino dela não teria sido esse caso seus pais continuassem a tratando como um
bebê. Quando criança, Paulo e Luiza tratavam Miley com muito amor e carinho,
atendendo seus pedidos e a mimando sempre. Com isso, ela cresceu em meio ao
luxo, mas com o tempo aprimorou-se das coisas simples da vida e hoje preferia
qualquer coisa que não fosse tão deslumbrante a ponto de não ser necessário.
Seu sonho era se formar em medicina veterinária, mas a
gravidez a impediu que concluísse os estudos para prestar vestibular e com fé,
passar. Nada podia mudar a realidade agora, todo projeto de Deus tende ser
cumprido. Aquele bebê viria por um bom motivo e com certeza mudaria a vida de
todos a seu redor ...
Dois meses após o casamento, Miley saía de um varejão onde
foi comprar frutas. Liam estava trabalhando e ela permanecia em casa por
enquanto. Um homem magro, sujo e encapuzado se aproximou dela, estava armado,
mandou-a passar tudo o que tinha e a segurou por trás, com um dos braços
envolvendo seu pescoço com força. Com medo, Miley deu tudo o que tinha em mãos. Dinheiro , uma sacola de frutas, na qual teria sido o motivo da ida ao
varejão e até uma carteira pequena onde estavam seus documentos. Ela ergueu as
mãos e ele sacou a arma da cintura, apontando para a barriga dela. –
Naquele momento o mundo em volta parou, seus olhos encheram de lágrimas, os
segundos passavam e ela implorava em mente pra ele desistir daquilo. Como
estaria o bebê naquele momento ? Seu corpo sentia o tremor da situação e já
pudera enxergar embaçado, quando gritou fechando os olhos, sem saber o que poderia acontecer.
- NÃAAAAAAAAO, pelo amor de Deus, não. – Ela imaginou seu fim,
o fim de tudo. – Faça o que quiser, mas não tire a vida do meu bebê. Eu
imploro. Por favor ? Por favor ? – Seu corpo já não aguentava mais.
Onde estava Liam naquele momento ? Ele nem imaginava o
que estava acontecendo com a mulher de sua vida, o risco que ela e seu filho
corriam. Não tinha como avisar, nem pedir ajuda, o homem estava com uma arma
apontada para seu maior tesouro, qualquer falha ela saberia das conseqüências.
Tentou negociar, mas não deu, ele queria mesmo é fazê-la refém.
- FICA QUIETA VAGABUNDA! QUER QUE EU ATIRE É ? CALA ESSA SUA
BOCA OU MORRE VOCÊ E A PORRA DO SEU FILHO. – Gritou ele.
A máscara tapava todo seu rosto, caso fugisse, Miley não
saberia reconhecê-lo. Ela soluçava de tanto chorar. Ninguém saía, nem entrava
do varejão, era um lugar pouco freqüentado. Mas naquele instante um senhor saiu
do estabelecimento e se deparou com a cena trágica, o bandido ainda não tinha o
visto quando voltou para dentro num pulo e avisou o segurança do estabelecimento:
- Ei cara, tem um marginal fazendo uma garota grávida refém aqui
em frente. Precisam
chamar a polícia imediatamente.
- Onde isso senhor ? – Perguntou o segurança ao correr até a
porta do local, não dando tempo para ele responder.
- Ai mesmo. – Ele disse. – Chamem logo a polícia. Ela está
grávida.
- Sim sim, já acionei a emergência. – Disse o segurança
segurando um radinho na mão. – Essa moça saiu daqui a pouco tempo, meu Deus.
- Vá acudi-la, é melhor do que esperar a polícia e ele fazer
algo pior com essa coitada. – Preocupou-se o senhor.
- Vou tentar ... – Disse, saindo para fora. – O que está
acontecendo aqui ? – Ao ouvir uma voz, Miley aliviou-se por alguém tê-la notado. – Posso saber
o que você está fazendo com essa moça ?
- NÃO CHEGA PERTO. – Anunciou o bandido virando a cabeça pra ver quem era. – Se der mais um
passo eu atiro nela.
- Não faça isso por favor. Deixe-a ir, por favor ? Abaixe a
arma cara, vamos, VAMOS. – Disse o segurança ao tentar negociar, enquanto Miley chorava silenciosamente com os olhos fechados.
Nada adiantava, ele permanecia intacto, a enforcando aos
poucos, sem se preocupar com nada. Miley não suportava mais aquilo, sua pressão
abaixou, a cabeça latejada, os olhos avermelharam-se e sentia-se zonza durante
todo o tempo.
- Isso não vai te levar a nada ... Vai ter o que merece ...
– No mesmo instante que o segurança disse, deu pra escutar o som da sirene da
polícia se aproximando, o bandido arregalou os olhos, mas não teve tempo algum de
fugir. Um camburão em cada esquina da rua o cercava. Quando os policiais
desceram do carro ás pressas e com armas ativas.
- Solte-a, jogue a arma pro chão. AGORA! – Ordenou um dos
policiais. – Abaixe a arma, anda, abaixe essa arma. – Ele não obedeceu, continuou ali, nervoso e com medo.
- O que é que você quer ? – Perguntou um outro policial
com a arma apontada para o assaltante. – Já pedimos pra abaixar a arma.
Miley não tinha noção de como a polícia soue do que estava
acontecendo, mas ficou agradecida. Na verdade até imaginava que poderia ter
sido o segurança. Nunca tinha passado tanto apuro na vida, mesmo com a
presença dos policiais ali ela já não se sentia bem para continuar de pé, quando sua visão escureceu e cair ao
desmaio. O assaltante sentiu o peso dela em seu braço e a soltou com força que
a fez bater a barriga no chão. No desespero se rendeu, colocando as mãos na cabeça e
tremendo de nervoso.
Saiu dali frio e com medo, começou a se desculpar, era tarde
demais. Os policiais agradeceram ao segurança pela denuncia. Acionaram uma ambulância de resgate
imediato para levar Miley ao hospital. Ela havia caído de bruços e sua testa
estava sangrando.
Acordou numa cama de hospital, sentindo fortes dores na
cabeça e pontadas na barriga. Ligada a vários aparelhos que monitoravam seus
batimentos cardíacos e os do bebê. Havia um suporte de soro ao seu lado com
dois sacos cheios que davam acesso a sua veia do braço esquerdo. Liam
ainda não sabia de nada. Um médico percebeu sua reação e se aproximou.
- Você está melhor ? – Perguntou ele.
- Não, minha cabeça ta doendo muito e sinto algumas
pontadas. – Ela respondeu com a voz fraca, passando as mãos sobre a barriga. – Preciso ligar
pro meu marido, ele vai entrar em desespero se não me encontrar em casa.
- Fica tranqüila, a recepção entra em contado, mas é exatamente
o que não temos, o telefone dele, pode me informar, por favor ? Escreva aqui.
- Sim. – Respondeu ela, escrevendo o número do celular de Liam
num papel que ele havia entregado pra ela. – É esse aí.
- Obrigado. – Respondeu o médico saindo da sala.
Não demorou muito para ver Liam desesperado entrando no quarto
onde Miley se encontrava Enfermeiras correram o hospital todo tentando impedi-lo. Puxou o lençol e a olhou por inteira, desde os pés
até a cabeça, ergueu o vestido pra ver se não tinha nada machucado. Passou
as mãos pelos cabelos dela e a beijou suavemente, fazendo com que ela chorasse
ao vê-lo ali. Estava suado, cansado e afobado.
- O que aconteceu ? – Perguntou ele em prantos. – O que
você fez na testa ? – Quando ela passou a mão e sentiu um curativo,
provavelmente tinha levado uns pontos, nem queria saber no momento. - Como veio
parar num hospital ? O bebê ta nascendo ? Você caiu ? Sentiu alguma dor ?
Porque não me ligou ? - Estava completamente desnorteado. – Me diz Miley,
me diz o que fizeram com você ?
- Calma ... calma. - Disse ela tentando acalmá-lo. Fui assaltada ... mantida em refém. – Respondeu ela.
- COMO FOI ASSALTADA ? QUEM FEZ ISSO ? – Liam gritava ao
perguntar.
- Eu não sei amor, foi algo rápido. Ele apontou a arma pra
minha barriga e foi na hora que eu comecei a ficar nervosa, acho que minha imunidade caiu e desmaiei,
nem sei o que aconteceu com ele.
- Não acredito nisso ... – Disse ele balançando a cabeça, ainda com as mãos sobre ela.
– Não acredito mesmo.
- Desculpa! – Ela falou quase chorando. – Não queria isso pra mim.
- A culpa não é sua ... Por quê você saiu sozinha ? – Ele
perguntou. – Se algo acontecer com vocês eu não sobreviveria. ... Ta tudo bem
com o bebê ?
- Acredito que sim, até agora ninguém me disse nada sobre
ele, to até preocupada. – Respondeu Ela.
- Ótimo! – Disse um homem moreno, alto e muito bonito,
vestindo um jaleco branco e segurando uma prancheta na mão. Era o médico que
havia examinado Miley quando ela chegou desmaiada. – Você acordou. Se sente bem
?
- Um pouco melhor. – Respondeu ela.
- Vou te examinar mais uma vez. Tudo o que fiz foi corrido.
Precisamos dar uma olhadinha no seu bebê. É seu namorado ? – Disse o médico meio
impaciente, olhando pra Liam.
- É meu marido. - Ela disse.
- Coloque as pernas no suporte por favor ... Vocês são bem novos né ?
- Sim, nada foi planejado. - Liam respondeu.
- É meu marido. - Ela disse.
- Coloque as pernas no suporte por favor ... Vocês são bem novos né ?
- Sim, nada foi planejado. - Liam respondeu.
Miley obedeceu. Liam, como sempre ao seu lado, acariciando
seus cabelos e beijando sua testa. Estava ainda com o uniforme do trabalho,
pois veio correndo quando soube que Miley estava internada.
O médico introduziu o aparelhinho dentro da vagina dela.
Miley se incomodou e soltou um grito de leve. Ele movimentava devagar para não
machucar e logo tirou, quando não obteve resultado.
- O que você fez ? – Liam perguntou curioso.
- Uma ultrassonografia interna, mas não consigo ouvir o
coração do bebê. Vou fazer a normal pra ver.
- Mas você nem pediu permissão ou pelo menos avisasse que
iria fazer isso. – Disse Liam. – Ela sentiu dor. Isso é ridículo.
- Você não pode me dizer o que devo ou não fazer. Sou um
médico e sei o que faço. – Respondeu o ele. – Nunca ouviram falar em ultrassonografia interna ?
- Não. – Respondeu Liam. – Só quero que meu bebê esteja bem.
- Ele está ótimo. Agora posso ouvir o coraçãozinho. Dá
pra monitorar pelo aparelho também. Ele está muito bem, apesar do susto,
nada demais aconteceu. Mais a barriga dela ta um pouco roxa pela queda, nada demais.
- Então podemos ir ? – Perguntou Liam. Com vontade de sair
dali logo e ter sua mulher de volta em casa como todos os dias.
- Vamos ver se Miley não reage a nada, se ocorrer tudo bem,
solicito a alta dela. Vamos esperar o soro acabar. Pode
ser ?
- Sim. Muito obrigado. – Agradeceu Liam.
Nenhum vestígio até o momento. O doutor deu alta para ela e a
orientou sobre gravidez precoce, junto a uma receita de remédios que serviriam
para controlar seus batimentos cardíacos e sua pressão arterial. Nada afetaria
o bebê, assim disse o médico. Ela já estava com sete meses de gestação e tudo
ocorria bem até o momento em que passou nervoso demais.
Chegaram em casa já a noite e Miley queria preparar o jantar,
Liam insistiu para que ela fosse tomar banho e deixasse que ele comandasse o
fogão naquela noite.
- Amor, vá tomar um banho que eu preparo a comida. O que vai
querer comer ?
- Macarronada com muito molho e queijo. – Respondeu ela,
passando as mãos sobre a barriga. – Liam, venha cá ... corre. – Ele correu. – Me
dê sua mão. – A obedeceu.
- O que foi Miley ? – Perguntou ele com medo.
- O bebê está chutando. Sinta. – Ela disse ao posar a mão
dele sobre sua barriga. Liam pudera sentir os pesinhos do bebê corando sobre a
pele dela e tocando sua mão. Uma lágrima escorreu sem esforço.
Estava feliz e triste ao mesmo tempo, não queria que Miley
tivesse passado o que passou, mas sabia que ali ainda tinha algo muito mais
valioso que qualquer coisa nesse mundo. – Lindo né ?
- Poxa ... Sou um pai muito cagão. – Disse ele limpando as
lágrimas. Estava emocionado. – Maravilhoso.
- Amor, o quartinho do bebê já está todo decorado, só que o
mais importante não decidimos ainda.
- O que ? – Perguntou ele.
- O nome dele. Sabemos que é um menino, temos que escolher um
nome rápido.
- Qual nome você gosta ?
- Gosto muito de Nathan ... – Respondeu ela. – Desde pequena
sempre quis colocar esse nome no meu filho caso tivesse um, e essa é a
oportunidade que eu tenho. E você ?
- Muito lindo mesmo. Queria colocar o nome do meu avô,
Estevan. O que você acha ?
- Maravilhoso. O que acha se colocarmos os dois ? Assim
faz a nossa vontade e combina bastante os dois nomes.
- Nathan Estevan será o nome do nosso primeiro filho senhora
Miley Parker. – Disse ele a abraçando e beijando seus lábios com carinho.
Acariciando seus cabelos e sua barriga. Podia sentir o calor do corpo dela
perto do seu, nem imaginava que tão novo já tinha uma vida completa, isso não
importava, ele era feliz ao lado da mulher que amava.
- Primeiro filho ? Virão outros ? – Perguntou ela.
- Virão uns cinco ou seis após esse e eu não quero ver você
negar. – Respondeu rindo.
- Você é louco mesmo.
- Sou sim. Sou louco por você. Completamente apaixonado.
Tenho certeza que sou um dos homens mais felizes e completos do mundo. Tenho
tudo o que eu preciso. Uma mulher maravilhosa, que me satisfaz, me dá prazer,
me ama e vai me dar um filho lindo. – Falou suavemente perto do ouvido dela,
mordiscando sua orelha e beijando seu pescoço. Miley estava feliz. Muito feliz.
- Eu também te amo Senhor Parker. Te amo muito.
- Agora vá tomar seu banho antes que coisas aconteçam na cozinha
mesmo. – Pediu ele, dando um tapa de leve no bumbum dela.
Miley tomou banho, se vestiu e voltou para a cozinha. Já
haviam se mudado para a casa que os pais dela lhes deram como presente de
casamento. Era linda, não tão grande, mas dava pra se começar uma vida. Foi
para a cozinha e Liam havia preparado TUDO, o macarrão com molho e queijo que
ela desejara estava ali.
- Que lindo amor. – Ela disse surpresa ao experimentar o
macarrão. – Hummmm, ta uma delícia. Que tal virar cozinheiro ?
- Somente seu cozinheiro. Pode ser ?
- Sim. – Respondeu ela.
Segundos depois sentiu uma dor muito forte na barriga e
observou um líquido transparente caindo dentre suas pernas. A bolsa havia
estourado. Gritou alto:
- AH MEU DEUS, A BOLSA ESTOUROU.
- O que ? – Liam perguntou confuso ainda com o garfo na mão.
- Liam, quando a bolsa estoura é porque o bebê vai nascer.
- Não é possível isso, acabamos de voltar de um hospital e
tudo estava bem. – Disse ele. – Você ta com sete meses ainda, Miley.
- Vamos voltar, vamos logo. – Ordenou ela segurando a
barriga. – Bebês nascem prematuros, ainda mais quando a mãe sofre com algum
problema de saúde. Tive queda de pressão e dor de cabeça hoje. Pensa nisso.
- Tudo bem. – Concordou ele pouco preocupado, não acreditava
muito que seu filho poderia nascer com antecedência.
Ligou o carro, colocou Miley dentro e voltou para pegar os
documentos e a bolsa do bebê que já estava prontinha pra recebe-lo. Assumiu o
volante e cantou pneu pelas ruas de Los Angeles, buzinando e anunciando pra
Deus e o mundo que tinha uma mulher prestes a dar a luz dentro do carro.
Chegaram à maternidade em menos de 20 minutos, Liam desceu Miley, que por sinal ainda não sentia nada,
apenas pontadas e começo de contrações. Cadastrou-se na recepção e ficou na espera, ansioso e agoniado ao ver barrigas enormes por toda a parte e choros de recém nascidos ao fundo.
Passado um tempo, Miley começou a sentir dores fortes. Foi quando os
médicos chegaram e a deitaram numa maca, correndo um longo corredor as
pressas. O bebê estava nascendo, prematuramente. Ela sentia dores cada vez mais
fortes e se contorcia toda. Liam desesperou-se quando ume médico ligou o alarme
de emergência. Em menos de 10 segundos todos entraram as pressas na sala e
locomoveram Miley para a sala de parto. Ela gritava compulsivamente. Gritava
tanto que suas veias ficaram visíveis em seu pescoço.
Monitoraram os batimentos cardíacos dela e do bebê. Tudo foi
bem rápido, Liam segurava sua mão com força e ela, com medo, apenas clamava por
tudo dar certo. Ele também estava nervoso, mas tentou manter a calma pra não assustá-la. Seus pais não estavam ali no momento, nem dava tempo de
avisá-los. Alguns minutos de gritos agonizantes e a cabecinha do bebê havia
corado. Ela fazia o máximo de força, enquanto Liam segurava sua mão, lágrimas
escorriam de seus olhos e ele estava preocupado, sabia que aquela
gravidez não havia sido completada e que algo poderia dar errado. Fechava os
olhos e dizia pra ela ter calma e ficar tranqüila. Miley respirava fundo e
empurrava, o bebê não saia, os médicos orientaram Liam pra empurrar o pescoço
dela para frente até tocar o peito, devagar e falar com ela o tempo todo. Ela entrou em desespero e
gritava cada vez mais alto, suspirava, gritava, berrava e sacudia as pernas.
Com toda a dificuldade Liam começou a rezar e pedir a Deus. Pedia tudo, tudo o
que imaginava. Uma enfermeira apoiou os braços sobre a barriga de Miley e a
ajudou a empurrar, mas ele não vinha a nascer. Optaram pelo parto no tapete.
Tiraram Miley da maca, fizeram Liam vestir um avental e sentar no tapete com ao pernas dobradas e os joelhos pra
cima, Miley sentou-se no meio de suas pernas. Nisso ele teria que segurar as
pernas dela com as mãos, puxando-as para trás, enquanto ela fazia força
apoiando-se em seus joelhos. E meio a tanta falação, suador e sofrimento, o
último grito foi doloroso, mas o bebê venho a nascer. Estava nos braços do
médico agora. O cordão estava enrolado em seu pescoço e ele não chorava. Cansada,
Miley olhava o bebê de longe, quase sem forças. Liam beijou sua testa e a parabenizando pelo esforço.
- Vai dar tudo certo, confia em mim. Eu pedi pra Deus acabar logo com
essa tortura. Você vai ficar bem e o bebê também. – Ela deu um sorriso fraco e
esperançoso.
Os médicos sacudiram e massagearam o bebê. Liam e Miley
olhavam em desespero, o bebê poderia ter morrido pela demora no parto.
Sentiram-se inúteis por alguns segundos, até que o ele chorou. O suspiro que
ela deu foi tão grande que até os médicos sorriram pela reanimação do bebê.
Já deitada na maca novamente, Miley pegou ele no colo, ainda sujo e uma
lágrima escorreu de seus olhos. Ela e Liam olhavam fixamente para ele, contando
a cada dedinho e olhando cada detalhe. Estavam felizes, mesmo depois de tudo
isso.
- Parabéns mamãe! Seu bebê foi um vencedor, ele poderia não
ter sobrevivido. – Disse o médico.
- Obrigada, obrigada mesmo. Sou grata pelo o que fizeram por
mim. – Respondeu Miley, com o rosto inchado e avermelhado.
- Papai ? – Disse o médico. Liam olhou. – Parabéns pra você
também, vocês merecem.
- Obrigado senhor, muito obrigado mesmo por essa
oportunidade. – Respondeu Liam emocionado.
- Agora preciso levar o bebê para a sala de observação. Como
ele nasceu prematuro e cansadinho, é provável que tenha que repousar, ou seja,
ficar na incubadora por alguns dias. – Disse a enfermeira, pegando o bebê do
colo da mãe.
Ela entristeceu, mas nada grave aconteceria. Ele era
branquinho, dos cabelos castanhos, enrolados e de olhos azuis. Muito parecido
com o pai, mas o cabelo era igual da mãe quando criança.
- Como é o nome dele ? – Perguntou a enfermeira.
- Nathan! – Disse Miley.
– Nathan Estevan. Foi um nome que escolhemos juntos, achei muito bonito.
- Que nome lindo, parabéns! ... Bem vindo ao mundo Nathan! –
Declarou a enfermeira e logo saiu da sala levando ele nos braços.
Após os pontos, Miley repousou, adormeceu e Liam sempre
sentado na poltrona ao seu lado, beijando sua testa e acariciando seus cabelos.
Era mania, costume.
- Senhora, senhora ... – Disse a enfermeira a sacudindo.
Miley acordou. – Me desculpe, mas precisa amamentar seu bebê.
- Sim... – Miley disse meio sonolenta, esfregando as mãos
sobre os olhos. – Claro que sim.
- Olha, segure-o firme, de forma que a cabecinha se mantenha
perto do seu seio. Nunca deixe ele se afastar, segure-o com uma mão e massageie
o seio com a outra. – Orientou a enfermeira. – A partir de hoje a senhora não
poderá tomar bebidas alcoólicas, ficar muito exposta ao sol, nem tomar muito
refrigerante. O certo é toda mãe amamentar seu bebê até os seis meses de vida,
depois cada uma faz o que bem entender.
- Nossa, isso tudo é novo pra mim. Sou tão nova e desastrada,
espero me acostumar. – Disse Miley amamentando Nathan pela primeira vez. –
Obrigada.
- De nada. – Respondeu a enfermeira.
- Você sabe onde Liam está ? – Perguntou Miley.
- Ah sim, ele pediu pra avisar que foi fazer uma ligação para
seus pais.
- Ah, é mesmo. Estou tão atordoada com isso tudo que me
esqueci que tenho família. – Disse Miley.
- Ele é lindo. – Disse a enfermeira, olhando fixamente para
Nathan sendo amamentado. – Lindo mesmo.
- Obrigada. – Miley disse agradecida. - Vocês salvaram
minha vida de certa forma.
Enquanto Miley fazia sua primeira amamentação, Liam se
encontrava do lado de fora do hospital. Desesperado e ao mesmo tempo feliz,
fazendo ligações para todas as pessoas das duas famílias e contando a novidade.
Os pais de Miley chegaram num pulo e foram direto visitar a filha e o neto.
Paulo, ficou surpreso e até chorou de emoção, ele queria estar no momento do
nascimento, mas Miley explicou que tudo foi muito rápido e por um motivo chato.
Luiza chegou a pegar Nathan no colo e recepcioná-lo ao mundo.
Beijos, abraços, sorrisos e muitas felicidades estavam
acontecendo naquele momento. Liam mostrou Nathan através de fotos para seus
pais que moravam na Austrália. Eles também estavam felizes e impressionados com
a prematuridade do bebê.
Pedro, Elisa, Théo e todo o círculo de amizade que Miley e
Liam tinham já estavam sabendo e iriam visitá-los quando voltassem pra
casa.







4 comentários:
Outro episódio legal.
Obrigada :)), leia sempre, amo meus leitores !
Awn, que lindo esse capítulo *----*
Obrigada meu amor ♥
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