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sábado, 21 de abril de 2012

CAPÍTULO 10 - Trauma Prematuro


A gravidez de Miley foi um fato histórico na família. O destino dela não teria sido esse caso seus pais continuassem a tratando como um bebê. Quando criança, Paulo e Luiza tratavam Miley com muito amor e carinho, atendendo seus pedidos e a mimando sempre. Com isso, ela cresceu em meio ao luxo, mas com o tempo aprimorou-se das coisas simples da vida e hoje preferia qualquer coisa que não fosse tão deslumbrante a ponto de não ser necessário.

Seu sonho era se formar em medicina veterinária, mas a gravidez a impediu que concluísse os estudos para prestar vestibular e com fé, passar. Nada podia mudar a realidade agora, todo projeto de Deus tende ser cumprido. Aquele bebê viria por um bom motivo e com certeza mudaria a vida de todos a seu redor ...

Dois meses após o casamento, Miley saía de um varejão onde foi comprar frutas. Liam estava trabalhando e ela permanecia em casa por enquanto. Um homem magro, sujo e encapuzado se aproximou dela, estava armado, mandou-a passar tudo o que tinha e a segurou por trás, com um dos braços envolvendo seu pescoço com força. Com medo, Miley deu tudo o que tinha em mãos. Dinheiro, uma sacola de frutas, na qual teria sido o motivo da ida ao varejão e até uma carteira pequena onde estavam seus documentos. Ela ergueu as mãos e ele sacou a arma da cintura, apontando para a barriga dela. – Naquele momento o mundo em volta parou, seus olhos encheram de lágrimas, os segundos passavam e ela implorava em mente pra ele desistir daquilo. Como estaria o bebê naquele momento ? Seu corpo sentia o tremor da situação e já pudera enxergar embaçado, quando gritou fechando os olhos, sem saber o que poderia acontecer.

- NÃAAAAAAAAO, pelo amor de Deus, não. – Ela imaginou seu fim, o fim de tudo. – Faça o que quiser, mas não tire a vida do meu bebê. Eu imploro. Por favor ? Por favor ? – Seu corpo já não aguentava mais.

Onde estava Liam naquele momento ? Ele nem imaginava o que estava acontecendo com a mulher de sua vida, o risco que ela e seu filho corriam. Não tinha como avisar, nem pedir ajuda, o homem estava com uma arma apontada para seu maior tesouro, qualquer falha ela saberia das conseqüências. Tentou negociar, mas não deu, ele queria mesmo é fazê-la refém.

- FICA QUIETA VAGABUNDA! QUER QUE EU ATIRE É ? CALA ESSA SUA BOCA OU MORRE VOCÊ E A PORRA DO SEU FILHO. – Gritou ele.

A máscara tapava todo seu rosto, caso fugisse, Miley não saberia reconhecê-lo. Ela soluçava de tanto chorar. Ninguém saía, nem entrava do varejão, era um lugar pouco freqüentado. Mas naquele instante um senhor saiu do estabelecimento e se deparou com a cena trágica, o bandido ainda não tinha o visto quando voltou para dentro num pulo e avisou o segurança do estabelecimento:

- Ei cara, tem um marginal fazendo uma garota grávida refém aqui em frente. Precisam chamar a polícia imediatamente.

- Onde isso senhor ? – Perguntou o segurança ao correr até a porta do local, não dando tempo para ele responder.

- Ai mesmo. – Ele disse. – Chamem logo a polícia. Ela está grávida.

- Sim sim, já acionei a emergência. – Disse o segurança segurando um radinho na mão. – Essa moça saiu daqui a pouco tempo, meu Deus.

- Vá acudi-la, é melhor do que esperar a polícia e ele fazer algo pior com essa coitada. – Preocupou-se o senhor.

- Vou tentar ... – Disse, saindo para fora. – O que está acontecendo aqui ? – Ao ouvir uma voz, Miley aliviou-se por alguém tê-la notado. – Posso saber o que você está fazendo com essa moça ?

- NÃO CHEGA PERTO. – Anunciou o bandido virando a cabeça pra ver quem era. – Se der mais um passo eu atiro nela.

- Não faça isso por favor. Deixe-a ir, por favor ? Abaixe a arma cara, vamos, VAMOS. – Disse o segurança ao tentar negociar, enquanto Miley chorava silenciosamente com os olhos fechados.

Nada adiantava, ele permanecia intacto, a enforcando aos poucos, sem se preocupar com nada. Miley não suportava mais aquilo, sua pressão abaixou, a cabeça latejada, os olhos avermelharam-se e sentia-se zonza durante todo o tempo.

- Isso não vai te levar a nada ... Vai ter o que merece ... – No mesmo instante que o segurança disse, deu pra escutar o som da sirene da polícia se aproximando, o bandido arregalou os olhos, mas não teve tempo algum de fugir. Um camburão em cada esquina da rua o cercava. Quando os policiais desceram do carro ás pressas e com armas ativas.

- Solte-a, jogue a arma pro chão. AGORA! – Ordenou um dos policiais. – Abaixe a arma, anda, abaixe essa arma. – Ele não obedeceu, continuou ali, nervoso e com medo.

 - O que é que você quer ? – Perguntou um outro policial com a arma apontada para o assaltante. – Já pedimos pra abaixar a arma.

Miley não tinha noção de como a polícia soue do que estava acontecendo, mas ficou agradecida. Na verdade até imaginava que poderia ter sido o segurança.  Nunca tinha passado tanto apuro na vida, mesmo com a presença dos policiais ali ela já não se sentia bem para continuar de pé, quando sua visão escureceu  e cair ao desmaio. O assaltante sentiu o peso dela em seu braço e a soltou com força que a fez bater a barriga no chão. No desespero se rendeu, colocando as mãos na cabeça e tremendo de nervoso.

Saiu dali frio e com medo, começou a se desculpar, era tarde demais. Os policiais agradeceram ao segurança pela denuncia. Acionaram uma ambulância de resgate imediato para levar Miley ao hospital. Ela havia caído de bruços e sua testa estava sangrando.

Acordou numa cama de hospital, sentindo fortes dores na cabeça e pontadas na barriga. Ligada a vários aparelhos que monitoravam seus batimentos cardíacos e os do bebê. Havia um suporte de soro ao seu lado com dois sacos cheios  que davam acesso a sua veia do braço esquerdo. Liam ainda não sabia de nada. Um médico percebeu sua reação e se aproximou.

- Você está melhor ? – Perguntou ele.

- Não, minha cabeça ta doendo muito e sinto algumas pontadas. – Ela respondeu com a voz fraca, passando as mãos sobre a barriga. – Preciso ligar pro meu marido, ele vai entrar em desespero se não me encontrar em casa.

- Fica tranqüila, a recepção entra em contado, mas é exatamente o que não temos, o telefone dele, pode me informar, por favor ? Escreva aqui. 

- Sim. – Respondeu ela, escrevendo o número do celular de Liam num papel que ele havia entregado pra ela. – É esse aí.

- Obrigado. – Respondeu o médico saindo da sala.

Não demorou muito para ver Liam desesperado entrando no quarto onde Miley se encontrava Enfermeiras correram o hospital todo tentando impedi-lo. Puxou o lençol e a olhou por inteira, desde os pés até a cabeça, ergueu o vestido pra ver se não tinha nada machucado. Passou as mãos pelos cabelos dela e a beijou suavemente, fazendo com que ela chorasse ao vê-lo ali. Estava suado, cansado e afobado.

- O que aconteceu ? – Perguntou ele em prantos. – O que você fez na testa ? – Quando ela passou a mão e sentiu um curativo, provavelmente tinha levado uns pontos, nem queria saber no momento. - Como veio parar num hospital ? O bebê ta nascendo ? Você caiu ? Sentiu alguma dor ? Porque não me ligou ?  - Estava completamente desnorteado. – Me diz Miley, me diz o que fizeram com você ?

- Calma ... calma. - Disse ela tentando acalmá-lo. Fui assaltada ... mantida em refém. – Respondeu ela.

- COMO FOI ASSALTADA ? QUEM FEZ ISSO ? – Liam gritava ao perguntar.

- Eu não sei amor, foi algo rápido. Ele apontou a arma pra minha barriga e foi na hora que eu comecei a ficar nervosa, acho que minha imunidade caiu e  desmaiei, nem sei o que aconteceu com ele.

- Não acredito nisso ... – Disse ele balançando a cabeça, ainda com as mãos sobre ela. – Não acredito mesmo.

- Desculpa! – Ela falou quase chorando. – Não queria isso pra mim.

- A culpa não é sua ... Por quê você saiu sozinha ? – Ele perguntou. – Se algo acontecer com vocês eu não sobreviveria. ... Ta tudo bem com o bebê ?  

- Acredito que sim, até agora ninguém me disse nada sobre ele, to até preocupada. – Respondeu Ela.

- Ótimo! – Disse um homem moreno, alto e muito bonito, vestindo um jaleco branco e segurando uma prancheta na mão. Era o médico que havia examinado Miley quando ela chegou desmaiada. – Você acordou. Se sente bem ?

- Um pouco melhor. – Respondeu ela.

- Vou te examinar mais uma vez. Tudo o que fiz foi corrido. Precisamos dar uma olhadinha no seu bebê. É seu namorado ? – Disse o médico meio impaciente, olhando pra Liam.

- É meu marido. - Ela disse. 

- Coloque as pernas no suporte por favor ... Vocês são bem novos né ? 

- Sim, nada foi planejado. - Liam respondeu.

Miley obedeceu. Liam, como sempre ao seu lado, acariciando seus cabelos e beijando sua testa. Estava ainda com o uniforme do trabalho, pois veio correndo quando soube que Miley estava internada.

O médico introduziu o aparelhinho dentro da vagina dela. Miley se incomodou e soltou um grito de leve. Ele movimentava devagar para não machucar e logo tirou, quando não obteve resultado.

- O que você fez ? – Liam perguntou curioso.

- Uma ultrassonografia interna, mas não consigo ouvir o coração do bebê. Vou fazer a normal pra ver.

- Mas você nem pediu permissão ou pelo menos avisasse que iria fazer isso. – Disse Liam. – Ela sentiu dor. Isso é ridículo.

- Você não pode me dizer o que devo ou não fazer. Sou um médico e sei o que faço. – Respondeu o ele. – Nunca ouviram falar em ultrassonografia interna ?

- Não. – Respondeu Liam. – Só quero que meu bebê esteja bem.

- Ele está ótimo. Agora posso ouvir o coraçãozinho. Dá pra  monitorar pelo aparelho também. Ele está muito bem, apesar do susto, nada demais aconteceu. Mais a barriga dela ta um pouco roxa pela queda, nada demais.

- Então podemos ir ? – Perguntou Liam. Com vontade de sair dali logo e ter sua mulher de volta em casa como todos os dias.

- Vamos ver se Miley não reage a nada, se ocorrer tudo bem, solicito a alta dela. Vamos esperar o soro acabar. Pode ser ?

- Sim. Muito obrigado. – Agradeceu Liam.

Nenhum vestígio até o momento. O doutor deu alta para ela e a orientou sobre gravidez precoce, junto a uma receita de remédios que serviriam para controlar seus batimentos cardíacos e sua pressão arterial. Nada afetaria o bebê, assim disse o médico. Ela já estava com sete meses de gestação e tudo ocorria bem até o momento em que passou nervoso demais.

Chegaram em casa já a noite e Miley queria preparar o jantar, Liam insistiu para que ela fosse tomar banho e deixasse que ele comandasse o fogão naquela noite.

- Amor, vá tomar um banho que eu preparo a comida. O que vai querer comer ?

- Macarronada com muito molho e queijo. – Respondeu ela, passando as mãos sobre a barriga. – Liam, venha cá ... corre. – Ele correu. – Me dê sua mão. – A obedeceu.

- O que foi Miley ? – Perguntou ele com medo.

- O bebê está chutando. Sinta. – Ela disse ao posar a mão dele sobre sua barriga. Liam pudera sentir os pesinhos do bebê corando sobre a pele dela e tocando sua mão. Uma lágrima escorreu sem esforço.
Estava feliz e triste ao mesmo tempo, não queria que Miley tivesse passado o que passou, mas sabia que ali ainda tinha algo muito mais valioso que qualquer coisa nesse mundo. – Lindo né ?

- Poxa ... Sou um pai muito cagão. – Disse ele limpando as lágrimas. Estava emocionado. – Maravilhoso.

- Amor, o quartinho do bebê já está todo decorado, só que o mais importante não decidimos ainda.

- O que ? – Perguntou ele.    

- O nome dele. Sabemos que é um menino, temos que escolher um nome rápido.

- Qual nome você gosta ?

- Gosto muito de Nathan ... – Respondeu ela. – Desde pequena sempre quis colocar esse nome no meu filho caso tivesse um, e essa é a oportunidade que eu tenho. E você ?

- Muito lindo mesmo. Queria colocar o nome do meu avô, Estevan. O que você acha ?

- Maravilhoso. O que  acha se colocarmos os dois ? Assim faz a nossa vontade e combina bastante os dois nomes.

- Nathan Estevan será o nome do nosso primeiro filho senhora Miley Parker. – Disse ele a abraçando e beijando seus lábios com carinho. Acariciando seus cabelos e sua barriga. Podia sentir o calor do corpo dela perto do seu, nem imaginava que tão novo já tinha uma vida completa, isso não importava, ele era feliz ao lado da mulher que amava.

- Primeiro filho ? Virão outros ? – Perguntou ela.

- Virão uns cinco ou seis após esse e eu não quero ver você negar. – Respondeu rindo.

- Você é louco mesmo.

- Sou sim. Sou louco por você. Completamente apaixonado. Tenho certeza que sou um dos homens mais felizes e completos do mundo. Tenho tudo o que eu preciso. Uma mulher maravilhosa, que me satisfaz, me dá prazer, me ama e vai me dar um filho lindo. – Falou suavemente perto do ouvido dela, mordiscando sua orelha e beijando seu pescoço. Miley estava feliz. Muito feliz.

- Eu também te amo Senhor Parker. Te amo muito.

- Agora vá tomar seu banho antes que coisas aconteçam na cozinha mesmo. – Pediu ele, dando um tapa de leve no bumbum dela.

Miley tomou banho, se vestiu e voltou para a cozinha. Já haviam se mudado para a casa que os pais dela  lhes deram como presente de casamento. Era linda, não tão grande, mas dava pra se começar uma vida. Foi para a cozinha e Liam havia preparado TUDO, o macarrão com molho e queijo que ela desejara estava ali.

- Que lindo amor. – Ela disse surpresa ao experimentar o macarrão. – Hummmm, ta uma delícia. Que tal virar cozinheiro ?

- Somente seu cozinheiro. Pode ser ?

- Sim. – Respondeu ela.

Segundos depois sentiu uma dor muito forte na barriga e observou um líquido transparente caindo dentre suas pernas. A bolsa havia estourado. Gritou alto:

- AH MEU DEUS, A BOLSA ESTOUROU.

- O que ? – Liam perguntou confuso ainda com o garfo na mão.

- Liam, quando a bolsa estoura é porque o bebê vai nascer.

- Não é possível isso, acabamos de voltar de um hospital e tudo estava bem. – Disse ele. – Você ta com sete meses ainda, Miley.

- Vamos voltar, vamos logo. – Ordenou ela segurando a barriga. – Bebês nascem prematuros, ainda mais quando a mãe sofre com algum problema de saúde. Tive queda de pressão e dor de cabeça hoje. Pensa nisso.

- Tudo bem. – Concordou ele pouco preocupado, não acreditava muito que seu filho poderia nascer com antecedência.

Ligou o carro, colocou Miley dentro e voltou para pegar os documentos e a bolsa do bebê que já estava prontinha pra recebe-lo. Assumiu o volante e cantou pneu pelas ruas de Los Angeles, buzinando e anunciando pra Deus e o mundo que tinha uma mulher prestes a dar a luz dentro do carro. Chegaram à maternidade em menos de 20 minutos, Liam desceu Miley, que por sinal ainda não sentia nada, apenas pontadas e começo de contrações. Cadastrou-se na recepção e ficou na espera, ansioso e agoniado ao ver barrigas enormes por toda a parte e choros de recém nascidos ao fundo.

Passado um tempo, Miley começou a sentir dores fortes. Foi quando os médicos chegaram e a deitaram numa maca, correndo um longo corredor as pressas. O bebê estava nascendo, prematuramente. Ela sentia dores cada vez mais fortes e se contorcia toda. Liam desesperou-se quando ume médico ligou o alarme de emergência. Em menos de 10 segundos todos entraram as pressas na sala e locomoveram Miley para a sala de parto. Ela gritava compulsivamente. Gritava tanto que suas veias ficaram visíveis em seu pescoço.

Monitoraram os batimentos cardíacos dela e do bebê. Tudo foi bem rápido, Liam segurava sua mão com força e ela, com medo, apenas clamava por tudo dar certo. Ele também estava nervoso, mas tentou manter a calma pra não assustá-la. Seus pais não estavam ali no momento, nem dava tempo de avisá-los.  Alguns minutos de gritos agonizantes e a cabecinha do bebê havia corado. Ela fazia o máximo de força, enquanto Liam segurava sua mão, lágrimas escorriam de seus olhos e ele estava preocupado, sabia que aquela gravidez não havia sido completada e que algo poderia dar errado. Fechava os olhos e dizia pra ela ter calma e ficar tranqüila. Miley respirava fundo e empurrava, o bebê não saia, os médicos orientaram Liam pra empurrar o pescoço dela para frente até tocar o peito, devagar e falar com ela o tempo todo. Ela entrou em desespero e gritava cada vez mais alto, suspirava, gritava, berrava e sacudia as pernas. Com toda a dificuldade Liam começou a rezar e pedir a Deus. Pedia tudo, tudo o que imaginava. Uma enfermeira apoiou os braços sobre a barriga de Miley e a ajudou a empurrar, mas ele não vinha a nascer. Optaram pelo parto no tapete. Tiraram Miley da maca, fizeram Liam vestir um avental e sentar no  tapete com ao pernas dobradas e os joelhos pra cima, Miley sentou-se no meio de suas pernas. Nisso ele teria que segurar as pernas dela com as mãos, puxando-as para trás, enquanto ela fazia força apoiando-se em seus joelhos. E meio a tanta falação, suador e sofrimento, o último grito foi doloroso, mas o bebê venho a nascer. Estava nos braços do médico agora. O cordão estava enrolado em seu pescoço e ele não chorava. Cansada, Miley olhava o bebê de longe, quase sem forças. Liam beijou sua testa e a parabenizando pelo esforço.

- Vai dar tudo certo, confia em mim. Eu pedi pra Deus acabar logo com essa tortura. Você vai ficar bem e o bebê também. – Ela deu um sorriso fraco e esperançoso.

Os médicos sacudiram e massagearam o bebê. Liam e Miley olhavam em desespero, o bebê poderia ter morrido pela demora no parto. Sentiram-se inúteis por alguns segundos, até que o ele chorou. O suspiro que ela deu foi tão grande que até os médicos sorriram pela reanimação do bebê.

Já deitada na maca novamente, Miley pegou ele no colo, ainda sujo e uma lágrima escorreu de seus olhos. Ela e Liam olhavam fixamente para ele, contando a cada dedinho e olhando cada detalhe. Estavam felizes, mesmo depois de tudo isso.

- Parabéns mamãe! Seu bebê foi um vencedor, ele poderia não ter sobrevivido. – Disse o médico.

- Obrigada, obrigada mesmo. Sou grata pelo o que fizeram por mim. – Respondeu Miley, com o rosto inchado e avermelhado.

- Papai ? – Disse o médico. Liam olhou. – Parabéns pra você também, vocês merecem.

- Obrigado senhor, muito obrigado mesmo por essa oportunidade. – Respondeu Liam emocionado.

- Agora preciso levar o bebê para a sala de observação. Como ele nasceu prematuro e cansadinho, é provável que tenha que repousar, ou seja, ficar na incubadora por alguns dias. – Disse a enfermeira, pegando o bebê do colo da mãe.

Ela entristeceu, mas nada grave aconteceria. Ele era branquinho, dos cabelos castanhos, enrolados e de olhos azuis. Muito parecido com o pai, mas o cabelo era igual da mãe quando criança.

- Como é o nome dele ? – Perguntou a enfermeira.

- Nathan! – Disse Miley. – Nathan Estevan. Foi um nome que escolhemos juntos, achei muito bonito.

- Que nome lindo, parabéns! ... Bem vindo ao mundo Nathan! – Declarou a enfermeira e logo  saiu da sala levando ele nos braços.

Após os pontos, Miley repousou, adormeceu e Liam sempre sentado na poltrona ao seu lado, beijando sua testa e acariciando seus cabelos. Era mania, costume.

- Senhora, senhora ... – Disse a enfermeira a sacudindo. Miley acordou. – Me desculpe, mas precisa amamentar seu bebê.

- Sim... – Miley disse meio sonolenta, esfregando as mãos sobre os olhos. – Claro que sim.

- Olha, segure-o firme, de forma que a cabecinha se mantenha perto do seu seio. Nunca deixe ele se afastar, segure-o com uma mão e massageie o seio com a outra. – Orientou a enfermeira. – A partir de hoje a senhora não poderá tomar bebidas alcoólicas, ficar muito exposta ao sol, nem tomar muito refrigerante. O certo é toda mãe amamentar seu bebê até os seis meses de vida, depois cada uma faz o que bem entender.

- Nossa, isso tudo é novo pra mim. Sou tão nova e desastrada, espero me acostumar. – Disse Miley amamentando Nathan pela primeira vez. – Obrigada.

- De nada. – Respondeu a enfermeira.

- Você sabe onde Liam está ? – Perguntou Miley.

- Ah sim, ele pediu pra avisar que foi fazer uma ligação para seus pais.

- Ah, é mesmo. Estou  tão atordoada com isso tudo que me esqueci que tenho família. – Disse Miley.

- Ele é lindo. – Disse a enfermeira, olhando fixamente para Nathan sendo amamentado. – Lindo mesmo.

- Obrigada. – Miley disse agradecida. -  Vocês salvaram minha vida de certa forma.

Enquanto Miley fazia sua primeira amamentação, Liam se encontrava do lado de fora do hospital. Desesperado e ao mesmo tempo feliz, fazendo ligações para todas as pessoas das duas famílias e contando a novidade. Os pais de Miley chegaram num pulo e foram direto visitar a filha e o neto. Paulo, ficou surpreso e até chorou de emoção, ele queria estar no momento do nascimento, mas Miley explicou que tudo foi muito rápido e por um motivo chato. Luiza chegou a pegar Nathan no colo e recepcioná-lo ao mundo.

Beijos, abraços, sorrisos e muitas felicidades estavam acontecendo naquele momento. Liam mostrou Nathan através de fotos para seus pais que moravam na Austrália. Eles também estavam felizes e impressionados com a prematuridade do bebê.

Pedro, Elisa, Théo e todo o círculo de amizade que Miley e Liam tinham já estavam sabendo e iriam visitá-los quando voltassem pra casa. 

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